A promotoria do caso que julga o médico Conrad Murray por ter sido culpado pela morte de Michael Jackson, exibiu como pano de fundo em sua apresentação uma suposta imagem do astro pop morto filmada pela rede de televisão norte-americana ABC.
O promotor David Walgren acusou o médico de “grosseira negligência”, nesta terça-feira (27), em Los Angeles, apresentando evidências de que o médico comprou, ao longo de mais de dois meses, cerca de 15,5 litros de Propofol, anestésico que aplicava no cantor quase todas as noites.
Em sua acusação, Walgren também apresentou ligações telefônicas de Michael Jackson a Murray, falando, muito debilitado, que seus shows teriam que ser um fenômeno. “Quero que pessoas saiam do meu show falando: ‘eu nunca mais verei isso de novo’”, disse o cantor no dia 10 de maio de 2009.
Walgren ainda disse que o Dr. Murray só chamou o resgate médico 24 minutos depois de encontrar o cantor inconsciente e negou aos médicos ter dado Propofol a Michael Jackson.
- Michael administrou uma dose de propofol sozinho quando Murray deixou o quarto. Somado ao lorazepan, isso criou uma tempestade que causou sua morte. Quando Murray voltou, não adiantava fazer CPR. Ele morreu tão rapidamente que seus olhos ainda estavam abertos.
Segundo a defesa do médico, Murray estava tentando fazer com que Michael parasse de usar propofol para dormir usando outros sedativos e por isso na noite anterior à morte do cantor o anestésico não foi administrado. Segundo Chernoff, a situação do cantor era tão grave cinco dias antes de sua morte que representante da AEG, empresa responsável pela turnê “This is It”, fizeram uma reunião na casa do cantor e consideraram cancelarem os shows. Depois dessa reunião, Jackson teria deixado claro para Murray que precisava do remédio para dormir ou a turnê não aconteceria. O médico chorou em determinado momento do discurso de seu advogado
Testemunhos
O coreógrafo e diretor da turnê “This is It”, Kenny Ortega, foi a primeira testemunha a depor.
Kenny disse que no início da produção da turnê ele se encontrava com Michael cerca de três a quatro vezes por semana. O promotor perguntou se os filhos do cantor iam aos ensaios: “Não. Ele pretendia levá-los aos shows em Londres e queria que eles se concentrassem nos estudos”, explicou Kenny.
O promotor demonstrou preocupação com a carga horária dos ensaios e perguntou quantas horas de ensaio por dia o cantor costumava fazer: “De sete a oito horas envolvendo ensaio físico e discussão de detalhes da produção”, respondeu o coreógrafo.
Durante o testemunho, Kenny revelou que no fim do mês de junho de 2009, Michael começou a faltar alguns ensaios e que no dia 19 de junho apareceu doente: “Ele não estava bem, parecia perdido e estava incoerente”. Ainda segundo Ortega, ele se sentou com Michael para observar o ensaio e o cobriu com uma manta: “Trouxe comida e massagiei seus pés. Neste dia, ele deixou o ensaio mais cedo”.
Em email enviado ao CEO da AEG, empresa responsável pela turnê, Ortega demonstrou sua preocupação com o estado de saúde do cantor. No documento, Ortega diz achar necessário que Michael tivesse acompanhamento de um terapeuta e que os figurinistas repararam que o cantor tinha perdido peso. Além disso, Conrad Murray é mencionado: “Tentei entrar em contato com o médico dele, mas não consegui”.
Murray confrontou Ortega durante uma reunião na casa de Michael Jackson dizendo que ele não deveria agir como um médico e que Michael estava física e emocionalmente capaz de lidar com as responsabilidades do show: “Eu discordei”, declarou Ortega.
Nos dias 23 e 24 de junho de 2009, Jackson apareceu nos ensaios: “Era um Michael diferente. Ele estava disposto e cheio de energia”, declarou o coreógrafo. No dia 25 de junho, o coreógrafo recebeu uma ligação do produtor Paul Gongaware dizendo que o cantor havia sido levado para o hospital de ambulância. Momentos depois, o produtor retornou a ligação: “Nós o perdemos”, disse a Ortega.
A segunda testemunha chamada para depor foi o produtor Paul Gongaware. Segundo ele, os ingressos para os dez primeiros shows foram vendidos em poucos minutos e Michael queria adicionar mais 21, somando um total de 31 apresentações. Paul disse ainda que Michael queria que Murray fosse seu médico durante a turnê e que chegou a oferecer US$1,5 milhão para que Murray fechasse o contrato e viajasse com ele.
Consulta:( Globo.com, EGO-noticias, Terra, Band.)